Djavan celebrou meio século de carreira com uma MEO Arena cheia, na noite de domingo, 11 de outubro. Foi a única data em Portugal da digressão “Djavanear 50 anos. Só Sucessos”, e o músico alagoano não precisou de muito para pôr a sala a cantar em plenos pulmões os seus principais temas.

Seguiu-se uma noite de clássicos, emoção, política e uma surpresa guardada para o fim: Mariza. A certa altura, perante os gritos de parte da plateia pelo nome de Lula da Silva, Djavan interrompeu o espetáculo para defender a democracia e a soberania do Brasil 

Cinco décadas de canções

Nascido em Maceió, em 1949, Djavan mudou-se para o Rio de Janeiro no início dos anos 70. O nome começou a circular em 1975, quando “Fato Consumado” ficou em segundo lugar no Festival Abertura, da TV Globo. No ano seguinte lançou o primeiro álbum, onde já constava “Flor de Lis”, ainda hoje uma das suas canções mais cantadas. Em 1982 gravou “Luz” em Los Angeles, disco que inclui “Samurai”, com a harmónica de Stevie Wonder.

A mistura de samba, bossa nova, jazz, pop e ritmos nordestinos tornou-o num dos compositores mais reconhecíveis da música popular brasileira.

Uma noite de clássicos

Sina” deu o tom de um concerto pensado como uma viagem pelos maiores sucessos de cinco décadas. O alinhamento anunciado para a digressão ronda as 25 canções e passa por temas como “Eu Te Devoro”, “Boa Noite”, “Oceano”, “Se…”, “Açaí”, “Flor de Lis”, “Samurai” e “Um Amor Puro”.

O formato é o que a digressão tem levado aos palcos desde a estreia em São Paulo: um arranque com a banda em pleno, um bloco acústico em que Djavan fica sozinho com o violão para “Meu Bem Querer” e “Oceano”, e uma reta final de festa com “Samurai” e “Lilás”, antes do encore com “Um Amor Puro”.

Djavan apresentou-se com uma banda de oito músicos, com destaque para a secção de sopros: Felipe Alves (bateria), Marcelo Mariano (baixo), Torcuato Mariano (guitarra e violão), Paulo Calasans (piano e teclados), Renato Fonseca (teclados), Jessé Sadoc (trompete e fliscorne), Marcelo Martins (saxofone tenor e flauta) e Rafael Rocha (trombone).

“Temos que defender a democracia”

Um dos momentos mais fortes da noite não foi uma canção. Parte do público começou a entoar o nome de Lula da Silva e Djavan fez uma pausa no concerto para responder.

Falou da importância de defender a democracia e a soberania do Brasil e deixou uma palavra de apoio ao Presidente brasileiro. A sala reagiu com entusiasmo, antes de o concerto retomar o seu curso.

Foi um parêntesis breve, mas que deu à festa dos 50 anos um sinal claro de que o artista continua atento ao que se passa no seu país e às preocupações do futuro.

Mariza, a surpresa do encore

Ao fim de uma hora e quarenta minutos, Djavan saiu de cena. A plateia não o deixou ir embora e, perante a insistência dos pedidos de bis, o cantor regressou ao palco com um aviso, “Eu tenho uma surpresa para vocês”.

A surpresa chamava-se Mariza. A fadista juntou-se a Djavan para cantarem “Um Amor Puro” em dueto, num cruzamento entre a música popular brasileira e o fado que apanhou a MEO Arena desprevenida.

Intemporalidade de uma voz

Cinquenta anos depois de “Fato Consumado”, Djavan mostrou em Lisboa que continua a encher salas dos dois lados do Atlântico. Meio século depois de começar, Djavan veio a Lisboa celebrar a carreira e acabou por celebrar também a língua que une os dois países. Para quem esteve na sala, ficou a certeza de que, aos 77 anos, o músico alagoano continua a ter muito para dizer, em palco e fora dele.

Fotos & Texto: Pedro Barrelas

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