O Benfica venceu o Gil Vicente por 3-1 no Estádio da Luz, num jogo da I Liga em que andou demasiado tempo à procura de soluções e só resolveu nos minutos finais. Os minhotos chegaram a estar na frente, Pavlidis empatou ainda na primeira parte e foi preciso esperar pela aproximação dos 90 minutos para o grego, de penálti, e Prestianni, com um remate em arco, darem os três pontos à equipa de Marco Silva.

A vitória mantém os encarnados no segundo lugar e na perseguição ao FC Porto, antes de dois compromissos exigentes, o jogo com o Milan de Ruben Amorim e o Clássico no Dragão.

Um susto, um empate e muita paciência

Marco Silva manteve praticamente a equipa que tinha goleado em Moreira de Cónegos, com uma exceção no meio-campo, onde Barrenechea foi titular ao lado de Barreiro, no lugar de João Palhinha. O Benfica teve a bola desde cedo, mas o primeiro grande momento da noite foi do Gil Vicente. Gil Martins encontrou Héctor Hernández nas costas da defesa, com Banjaqui a acompanhar o lance de longe, e o remate do avançado ainda tocou em Samuel Soares antes de entrar.

A resposta encarnada demorou, mas chegou. Pavlidis, que pouco antes tinha desperdiçado uma oportunidade flagrante, redimiu-se perto da meia hora, ao concluir com um toque subtil por cima de Lucão um lance confuso na área minhota. O 1-1 manteve-se até ao intervalo.

A segunda parte foi de sentido único, mas sem a clareza que o domínio fazia esperar. Lucão travou um remate de Pavlidis, um tiro de Schjelderup desviado num defesa foi parar à trave e, já perto do fim, Prestianni também acertou no ferro. Foi nessa fase que o jogo se decidiu. Aursnes caiu na área, o árbitro apontou para a marca de penálti e Pavlidis não tremeu. Pouco depois, Prestianni arrancou pela esquerda, puxou para dentro e desenhou um remate em arco que fechou as contas.

Análise tática

O jogo explica-se em boa parte pelo meio-campo encarnado. Com Barrenechea e Barreiro lado a lado, o Benfica ganhou presença física e segurança na primeira fase de construção, mas perdeu capacidade para acelerar e para encontrar os jogadores entre linhas. A posse foi quase sempre encarnada, só que circulava muito à frente do bloco minhoto e raramente o obrigava a descompor-se, o que deixou Pavlidis isolado entre os centrais e os extremos sem espaço para receber de frente.

Do outro lado, Luís Pinto montou um Gil Vicente que sabia exatamente o que queria. A equipa fechou os corredores interiores, aceitou não ter a bola e apostou em sair rápido, aproveitando a velocidade dos homens da frente para atacar o espaço nas costas de uma defesa que subia muito. O golo nasceu precisamente desse plano, num passe a rasgar que apanhou a linha defensiva encarnada mal posicionada. Sempre que conseguiu respirar com bola, o conjunto de Barcelos fê-lo através de Zé Carlos e Lausen, que deram pausa e permitiram à equipa subir no terreno.

A mudança decisiva chegou pouco depois da hora de jogo. Marco Silva tirou os dois médios titulares e lançou João Palhinha e Aursnes, ganhando um jogador mais vertical na recuperação e outro capaz de pisar zonas mais adiantadas e aparecer na área, como acabaria por acontecer no lance do penálti. Mais tarde, a saída de Banjaqui para a entrada de Durán deixou o Benfica com mais uma referência ofensiva e menos equilíbrio atrás, uma aposta assumida no risco que empurrou o Gil Vicente para junto da sua área.

O preço dessa aposta foi um jogo mais emocional do que organizado, com a impaciência a crescer nas bancadas. A recompensa chegou pela insistência e pelo talento individual, com Prestianni a fazer a diferença pela esquerda e Pavlidis a aparecer quando foi preciso. A vitória é justa pelo volume de jogo, mas deixa a Marco Silva uma pergunta para resolver antes dos testes que se seguem, a de como criar perigo de forma consistente frente a blocos baixos sem depender de uma inspiração tardia.

Ficha de jogo

Benfica 3-1 Gil Vicente

I Liga, 6.ª jornada — Estádio da Luz, em Lisboa, 13 de setembro de 2026

Árbitro — João Ferreira

Espectadores — 62.455

Benfica (Marco Silva) — Samuel Soares; Banjaqui (Durán, 81′), Tomás Araújo, Lenglet, Dahl; Barrenechea (Palhinha, 58′), Barreiro (Aursnes, 58′); Rafa Silva (Lukebakio, 72′), Prestianni, Schjelderup (Echeverri, 72′); Pavlidis

Gil Vicente (Luís Pinto) — Lucão; Marvin Gilbert (Espigares, 88′), Buatu, David Moreira (José Silva, 81′), Ricardo Esgaio, Gil Martins (Tidjany Touré, 81′); Murilo, Zé Carlos, Lausen, Agustín Moreira (Santi García, 56′); Héctor Hernández (Kaba, 56′)

Golos — 0-1 Héctor Hernández (7′), 1-1 Pavlidis (29′), 2-1 Pavlidis (88′, g.p.), 3-1 Prestianni (90+3′)

Cartões amarelos — Barrenechea, Palhinha (Benfica); Héctor Hernández, Lucão, Ricardo Esgaio (Gil Vicente)

Ao intervalo — 1-1

Texto & Fotos: Pedro Barrelas

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