Saltar para o conteúdo

Nexum Press

  • Desporto
  • Música
  • Política
  • Economia
  • Desporto
  • Música
  • Política
  • Economia
Política

Lula vs Flávio Bolsonaro: um olhar sobre as eleições brasileiras

O Brasil vai a votos no dia 4 de outubro deste ano e, a pouco mais de um mês das eleições, aumenta a incerteza sobre quem irá ocupar o Palácio do Planalto nos próximos quatro anos.

Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) são os dois candidatos que, nas sondagens, reúnem as maiores intenções de voto entre os brasileiros. Não sendo uma repetição das eleições de 2022, não se pode ignorar que a presença do filho de Jair Bolsonaro remete para um cenário de continuidade do legado político do pai e de manutenção da bipolarização política no Brasil.

Este artigo é o primeiro de dois dedicados à política brasileira contemporânea, percorrendo o período entre os mandatos de Jair Bolsonaro e Lula da Silva e culminando nas eleições presidenciais de 2026.

Mandato Bolsonaro

Jair Bolsonaro governava o Brasil em 2022 e as críticas ao seu mandato eram extensas. A gestão durante a pandemia foi a mais evidente. O então presidente brasileiro contrariou várias recomendações das autoridades de saúde, minimizando o risco de contágio e desvalorizando a importância das vacinas. A cloroquina foi um dos tratamentos promovidos pelo presidente para a Covid-19, apesar de nunca ter existido evidência científica quanto à sua eficácia.

Em fevereiro de 2021, foi apresentado pelo senador Randolfe Rodrigues um requerimento para a realização de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito), com o intuito de avaliar a gestão da pandemia por parte do Governo. Após alguma resistência, a CPI acabou por ser instalada e os resultados não podiam ser piores para Bolsonaro. O relatório final recomendou o indiciamento do então presidente por nove infrações, entre as quais crimes contra a humanidade, crimes de responsabilidade, epidemia com resultado de morte e prevaricação.

Foto: Gustavo Basso

Neste período, foram registadas mais de 690 mil mortes por Covid-19, uma mancha negra no mandato de Jair Bolsonaro. O presidente contou ainda com várias críticas quanto à política de preservação da Amazónia, que atingiu níveis recorde de desflorestação, mas também quanto à sua relação com as principais instituições democráticas, marcada por confrontos com o Supremo Tribunal Federal e pela desconfiança manifestada em relação ao sistema eleitoral.

Mesmo assim, estes fatores não o impediram de disputar as eleições com Lula da Silva de forma muito equilibrada.

Regresso do Petista

Lula da Silva voltou a candidatar-se à Presidência do Brasil nas eleições de 2022, depois de, no ano anterior, o Supremo Tribunal Federal ter anulado as condenações relacionadas com a Operação Lava Jato que o tinham tornado inelegível e impedido de disputar as eleições presidenciais de 2018.

A Operação Lava Jato, que ganhou enorme notoriedade na esfera pública brasileira, envolveu Lula da Silva num dos seus processos mais mediáticos: o caso relacionado com um triplex no Guarujá, no estado de São Paulo. Em 2017, o então juiz federal Sérgio Moro, que viria mais tarde a assumir o cargo de ministro da Justiça e Segurança Pública no Governo de Jair Bolsonaro, condenou, em primeira instância, o ex-presidente pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

A condenação seria posteriormente confirmada em segunda instância. Ao abrigo da Lei da Ficha Limpa, aprovada em 2010, Lula ficou inelegível, o que acabou por impedir a sua candidatura às eleições presidenciais de outubro de 2018. O Partido dos Trabalhadores avançou então com Fernando Haddad, que seria derrotado por Jair Bolsonaro na segunda volta das eleições.

Ao contrário do que se possa pensar, a anulação das condenações do antigo presidente não resultaram do reconhecimento da sua inocência. Em 2021, o Supremo Tribunal Federal considerou que a Justiça Federal de Curitiba não tinha competência para julgar os processos em causa, anulando as condenações de Lula. No mesmo ano, o STF considerou ainda que Sérgio Moro tinha sido parcial na condução do processo relativo ao triplex do Guarujá.

Com as condenações anuladas e os seus direitos políticos restabelecidos, Lula da Silva pôde voltar a candidatar-se à Presidência da República nas eleições de 2022.

Dia Negro

Numa sociedade completamente polarizada, em que a incerteza sobre quem seria o novo presidente brasileiro foi vivida até ao último dia, a vitória acabaria por sorrir a Lula na segunda volta, quando este obteve 50,90% dos votos, contra 49,10% do seu opositor.

Foto: Ricardo Stuckert

Seguiram-se protestos de muitos apoiantes de Bolsonaro que não aceitaram os resultados democraticamente estabelecidos, com camionistas a bloquearem estradas e concentrações junto a quartéis-generais a pedir uma intervenção militar. O silêncio de cerca de 44 horas do presidente derrotado contribuiu para alimentar a incerteza e a escalada dos protestos.

A catarse dessa revolta foi atingida a 8 de janeiro de 2023, uma semana depois da tomada de posse de Lula, quando, numa manifestação organizada por apoiantes de Jair Bolsonaro, milhares de pessoas invadiram o Congresso Nacional, o Palácio do Planalto e o Supremo Tribunal Federal, vandalizando as principais instituições da democracia brasileira. Pelo menos 1.500 pessoas foram detidas nesse dia por suspeitas da prática de crimes relacionados com os atos de vandalismo.

Foto: Ricardo Stuckert

Fim do Bolsonarismo?

Os acontecimentos do dia 8 de janeiro de 2023 levaram a uma investigação rigorosa e extensa por parte das autoridades, que acabou por chegar a Jair Bolsonaro. O ex-presidente foi acusado de liderar uma organização que tinha como objetivo impedir a transição de poder após a vitória de Lula nas eleições de 2022 e mantê-lo na presidência.

Em setembro de 2025, Jair Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão pelo Supremo Tribunal Federal. As acusações incidiam sobre cinco crimes, entre os quais organização criminosa armada, tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito. O antigo presidente, que já se encontrava inelegível desde 2023, ficou definitivamente afastado da corrida eleitoral deste ano e mantém-se atualmente em prisão domiciliária por motivos de saúde.

Com o líder e principal inspiração do movimento bolsonarista preso, muitos anteciparam o enfraquecimento do movimento. Contudo, uma nova figura viria a assumir o protagonismo político e a dar continuidade ao legado de Jair Bolsonaro, o seu filho.

Na segunda parte deste artigo, analisamos o mandato de Lula da Silva, a escolha de Flávio Bolsonaro para representar o bolsonarismo e o cenário político brasileiro a caminho das eleições presidenciais de 2026.

Texto: Pedro Barrelas

Partilhar isto:

  • Share on X (Abre numa nova janela) X
  • Partilhar no Facebook (Abre numa nova janela) Facebook
Gosto Carregando…

Nexum Press

  • Instagram

A carregar comentários...
  • Comentar
  • Republicar
  • Subscrever Subscrito
    • Nexum Press
    • Already have a WordPress.com account? Log in now.
    • Nexum Press
    • Subscrever Subscrito
    • Registar
    • Iniciar sessão
    • Copy shortlink
    • Denunciar este conteúdo
    • View post in Reader
    • Manage subscriptions
    • Minimizar esta barra
%d