Argentina 2 – 1 Inglaterra / Mundial 2026
O mundo tinha os olhos postos em Atlanta, esta quarta-feira, 15 de julho, para o encontro das meias-finais do Mundial entre Argentina e Inglaterra.
A Albiceleste procurava regressar à final e manter vivo o sonho de revalidar o título conquistado no Catar, em 2022. Em caso de triunfo na competição, a seleção argentina alcançaria o quarto título mundial da sua história.
Uma das principais figuras da seleção sul-americana continua a ser Lionel Messi. Aos 39 anos, o capitão argentino soma, até ao momento, oito golos e duas (agora três) assistências nesta fase final, estando em igualdade com Kylian Mbappé no topo da lista de melhores marcadores.

Os ingleses escrevem um novo capítulo neste Mundial, impulsionados por uma geração talentosa e por um grupo unido. Apesar de não apresentarem um futebol particularmente vistoso, os Three Lions têm na eficácia uma das suas principais armas e têm demonstrado capacidade para, nos momentos de maior pressão, encontrar argumentos para contrariar o rumo dos jogos, como aconteceu frente à Noruega.
O jovem médio de 23 anos, natural de Birmingham, Jude Bellingham, tem sido uma das principais referências da seleção inglesa, a par de Harry Kane. A facilidade com que chega à área adversária e finaliza em momentos-chave permite-lhe atuar muitas vezes como um segundo avançado, oferecendo à Inglaterra uma presença constante nas zonas de decisão. Até ao momento conta com seis golos e uma assistência.

O Jogo
Numa partida em que não faltou emoção a Argentina mostrou superioridade no último quarto de hora e carimbou a passagem para a fase final do Mundial, depois de estar a perder.
O primeiro tempo foi muito disputado, com duelos intensos que obrigaram o árbitro americano, Ismail Elfath, a parar várias vezes a partida mas a gerir bem o jogo, em apenas mostrar um cartão amarelo. Sem nunca criar reais ocasiões de golo, as duas equipas remataram poucas vezes à baliza. Enzo Fernández acabou com a seca de remates já perto do intervalo quando rematou à baliza de Pickford mas a bola saiu muito por cima.
A forma como a Inglaterra conseguiu controlar as investidas argentinas durante a primeira parte refletiu o mérito de Thomas Tuchel na preparação tática da equipa. O selecionador inglês bloqueou, durante largos períodos, os avanços da Argentina através de um duplo pivô formado por Declan Rice e Elliot Anderson. A dupla conseguiu limitar a influência de Lionel Messi e controlar os espaços interiores explorados pela seleção sul-americana.
A segunda parte do encontro foi o oposto da primeira, com menos tática e mais emoção. A Argentina regressou dos balneários determinada a assumir o controlo da partida, empurrando a Inglaterra para o seu meio-campo. Logo nos primeiros minutos, Julián Álvarez esteve perto de inaugurar o marcador, mas Jordan Pickford brilhou entre os postes ao travar um remate bem colocado do avançado argentino.
O domínio argentino acabou castigado aos 56 minutos. Na sequência de um mau corte da defesa sul-americana, a Inglaterra lançou o contra-ataque, Morgan cruzou para o coração da área e Gordon desviou para o fundo da baliza.
A equipa orientada por Scaloni não baixou os braços e obrigou Pickford a várias intervenções de grande nível. Não fosse a exibição segura do guarda-redes inglês, e a Argentina teria chegado mais cedo ao empate.
Perante as dificuldades sentidas pela Inglaterra face à ofensiva feroz da Argentina, Thomas Tuchel optou por colocar quatro defesas-centrais em campo quando ainda faltavam dez minutos para o apito final. A alteração revelou-se demasiado conservadora e acabaria por ser uma das decisões que mais pesou na perda da vantagem inglesa.

O empate, que há muito se justificava, chegou a cinco minutos dos 90 através de uma verdadeira obra-prima. Na sequência de um canto curto, Lionel Messi encontrou Enzo Fernández à entrada da área e o médio argentino, com um remate indefensável, fez o 1-1, levando ao delírio os adeptos e os próprios jogadores.
Com a seleção inglesa praticamente obrigada a defender o empate, fruto da disposição tática introduzida por Thomas Tuchel, a Albiceleste meteu toda a carne no assador e acabou por ser recompensada. Já para lá dos 90 minutos, Lionel Messi desenhou um cruzamento magistral e Lautaro Martínez surgiu ao segundo poste para cabecear para o 2-1. A incredulidade dos ingleses contrastava com a euforia dos argentinos, que celebraram efusivamente um apuramento para a final conquistado com enorme esforço.
Os sul-americanos regressam a uma final do Mundial com o objetivo de conquistar o quarto título da sua história e levá-lo para Buenos Aires. Já a Inglaterra viajará até Miami, onde defrontará a França na luta pelo terceiro lugar da competição.

Texto: Pedro Barrelas