Wimbledon 2026
O palco dos sonhos do ténis mundial está de volta. Wimbledon, o mais emblemático dos quatro Grand Slams disputado em Londres, prepara-se para coroar um novo campeão, ou para ver Jannik Sinner defender o título que conquistou no ano passado.

Ausência Anunciada
Carlos Alcaraz continua afastado dos courts devido à lesão no pulso direito, que o afastou de competição desde abril, e isso já está a ter impacto direto no ranking ATP.
A ausência prolongada fez com que falhasse Roland Garros, Queen’s e Wimbledon, três torneios onde tinha muitos pontos a defender. Como consequência, Jannik Sinner já aumentou significativamente a vantagem no topo, e Alcaraz corre o risco de descer ainda mais no ranking à medida que continua sem competir e pode mesmo ver Zverev a ultrapassar-lhe.
Desilusões
Andrey Rublev continua sem conseguir apresentar a consistência necessária para regressar ao top 10 mundial. O tenista russo tem revelado dificuldades em gerir os momentos de maior pressão, refletindo alguma falta de frieza em fases decisivas dos encontros. A derrota por 3–2 frente ao seu compatriota Roman Safiullin, um jogador fora do top 100, na primeira ronda de Wimbledon, é mais um exemplo da irregularidade que tem marcado a sua temporada.

Stefanos Tsitsipas, que já alcançou a terceira posição no ranking ATP e disputou uma final de Roland Garros, continua longe da sua melhor versão. O tenista grego atravessa uma temporada muito abaixo das expectativas e ocupa atualmente a 87.ª posição do ranking mundial. Na primeira ronda de Wimbledon conseguiu vencer com facilidade Hugo Gaston por 3-0 (6-1, 6-4 e 6-2), mas, na ronda seguinte, foi claramente superiorizado por Novak Djokovic que não precisou de jogar ao seu melhor nível para ganhar por três sets a zero a partida.
O norueguês Casper Ruud, um dos jogadores que mais atenção tem despertado pelo potencial que vem demonstrando nos últimos anos, foi eliminado de forma precoce na primeira ronda por Hubert Hurkacz. A derrota surpreende não só pela fase inicial do torneio, mas também porque Ruud procurava afirmar-se numa superfície onde continua a revelar dificuldades.
Surpresa
O tenista russo Roman Safiullin, que este ano já competiu em Portugal por duas ocasiões, vencendo numa delas o Oeiras Challenger — tem vindo a protagonizar uma recuperação notável após a lesão que o afastou dos principais courts.
Atualmente fora do top 100, Safiullin teve de ultrapassar os três encontros da fase de qualificação para garantir presença no quadro principal de Wimbledon, e fê-lo exibindo um nível competitivo surpreendentemente elevado. Na primeira ronda, como já referido, derrotou Andrey Rublev por 3–2, e na segunda voltou a triunfar pelo mesmo resultado num duelo muito dividido frente ao holandês Botic van de Zandschulp.

Foi, no entanto, diante de João Fonseca que Safiullin apresentou o seu melhor ténis: com serviços potentes, respostas de enorme qualidade e uma consistência agressiva que o aproximou de um nível competitivo digno de um top 10. A exibição frente ao brasileiro confirmou que o russo está novamente capaz de competir ao mais alto nível.
Consistência
Novak Djokovic continua a apresentar um nível de consistência impressionante para alguém prestes a completar 40 anos. Depois de alcançar a final do Australian Open, onde foi derrotado por Carlos Alcaraz, o sérvio mantém a solidez em Wimbledon. Soma já quatro vitórias confortáveis, sempre com controlo total dos encontros e sem necessidade de batalhas longas, o que lhe permite gerir o esforço físico de forma muito competente.
O próximo encontro do sete vezes campeão de Wimbledon será frente a Auger‑Aliassime, atual número quatro do mundo, naquela que promete ser a partida de maior destaque nos quartos de final.

A participação portuguesa
A participação portuguesa em Wimbledon este ano voltou a não levar os representantes nacionais muito longe. Nuno Borges, que na edição passada alcançou os 16 avos de final após uma batalha de cinco sets frente a Karen Khachanov, procurava melhor o registo.
O português entrou bem, superando o norte‑americano Tristan Boyer na primeira ronda. Porém, o sorteio colocou‑lhe pela frente o atual campeão de Wimbledon, Jannik Sinner, logo no segundo encontro.
O resultado, 3–0 para o italiano, não reflete a exibição de Borges, que obrigou Sinner a elevar o nível e a recorrer a dois tie‑breaks para ganhar dois sets. O português saiu derrotado, mas deixou uma imagem competitiva muito positiva.
Outra participação muito positiva foi a de Jaime Faria, que venceu os três encontros de qualificação e garantiu, com mérito, a entrada no quadro principal de Wimbledon. O português voltou a surpreender ao superar a primeira ronda frente ao japonês Sho Shimabukuro, assinando a melhor prestação da carreira em Grand Slams.
Na segunda ronda, Faria acabou eliminado pelo belga Zizou Bergs, mas a derrota não apaga o significado da sua campanha. Pela primeira vez na história do ténis português, Portugal colocou dois jogadores na segunda ronda do quadro principal de Wimbledon, um marco que reforça o crescimento do ténis nacional.

Texto: Pedro Barrelas