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Carminho encantou Oeiras com “Eu Vou Morrer de Amor ou Resistir”

O sentimento que o fado transmite, seja ele de uma beleza melancólica ou de uma nostalgia marcada pela saudade e pela partida, tem de ser interpretado com verdade por quem o vocaliza. Mas a interpretação, por mais identidade própria que tenha, deve assentar em duas bases fundamentais: o respeito por quem o cantou antes e a irreverência de quem o imprime hoje e o constrói.

Poucos trabalhos recentes ilustram este equilíbrio como o mais recente projeto de Carminho. O novo álbum da artista “Eu vou morrer de Amor ou Resistir”, é um reflexo dessa dualidade. Se por um lado a fadista imprime a sua identidade em grande parte dos temas, por outro, a inclusão de canções já interpretadas por outros demostra um respeito pela herança do fado, sem nunca esquecer o presente e os seus valores. 

Foi precisamente essa a visão que Carminho apresentou aos que se deslocaram ao Jardim Municipal de Oeiras no passado dia 10 de junho. Durante duas horas os locais, amantes ou não de fado, sentiram-se convidados deixando-se envolver pela música.

O tema “Balada do País que Dói”, incluído no novo álbum da artista, abriu o concerto, num momento em que as sombras e os elementos visuais assumiram um papel de destaque. Com a voz de Carminho no centro da atenção, o impacto junto do público fez-se sentir de forma imediata.

Seguiram-se outros temas do álbum “Eu Vou Morrer de Amor ou Resistir”, como “Saber”, “Diz Agora que Acabou” e “Trazes-me Tanta Saudade”. 

Marcha de Alcântara

A fadista antes de cantar um dos seus temas de preferência, a “Marcha de Alcântara”, desejou boa sorte à marcha popular da sua freguesia, manifestando a esperança de que voltassem a conquistar o primeiro lugar, à semelhança de 2024 e 2025.

Momento mágico

O grande momento da noite ficou reservado para o final, quando a artista, para surpresa de todos, baixou o microfone e cantou à capela o “As Minhas Penas”. Entre o silêncio em sinal de respeito e a emoção visível no público, a interpretação criou um dos momentos mais emotivos da noite. Os oeirenses despediram-se da fadista com um aplauso prolongado 

Alinhamento

Balada do país que dói

Saber

Diz agora que acabou

Trazes-me tanta saudade 

Marcha de Alcântara 

Canção à ausente

Lá vai Lisboa 

A sombra do teu cabelo

O quarto

Pela minha voz

Fado é amor 

Pedra solta

Bia da Mouraria

Dia cinzento

Memória

Meu amor marinheiro

Estrela

Escrevi o teu nome no vento

Galeria

Texto: Pedro Barrelas
Fotos: Pedro Barrelas

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